"Todos los edificios, absolutamente todos, tienen una cara inútil, inservible, que no da ni al frente ni al contrafrente: la medianera."
Em Medianeras, a cidade de Buenos Aires com suas disparidades arquitetônicas é uma personagem. Os outros protagonistas são Martín e Mariana: dois jovens que têm muitas coisas em comum. Residem perto um do outro e ambos procuram um novo amor, mas não se conhecem. Conforme anuncia o trailer oficial na web: "Él busca alguien como ella y ella busca alguien como él - Ele procura alguém como ela e ela procura alguém como ele”. Moram na mesma zona central da cidade de uenos Aires, cruzam-se pela rua, mas permanecem invisíveis um para o outro. Os dois moram em ‘monoambientes’, também apelidados de 'caja de zapatos' (caixa de sapatos) – nome metafórico que ressalta de forma irônica o espaço reduzido desses apartamentos -, equivalentes aos conjugados ou quitenetes no Brasil. Tanto um quanto o outro padecem do isolamento nas metrópoles e sofrem de fobias: ela não entra mais em elevadores e ele vive num mundo cibernético. Entretanto, o que mais os une é um olhar sensível e crítico em relação à cidade onde moram. Por meio de suas vozes, quase sempre em off, o filme tece uma reflexão sobre a relação entre arquitetura e vida urbana. Martín fala dos apartamentos cada vez menores: “Los edificios son cada vez más chicos para darle lugar a nuevos edificios, más chicos aún - Os prédios são cada vez menores para dar lugar a novos prédios ainda menores”. E atribui aos empresários da construção a responsabilidade pelas separações, as neuroses, os ataques de pânico, a obesidade, a insegurança, a hipocondria, a violência familiar, fora outros males dos quais ele também afirma padecer. Em contrapartida, Mariana fala das "medianeras".

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